Lições da derrota do Inter, a ressaca do clássico e as escolhas de Pezzolano



A euforia da vitória expressiva no Gre-Nal ecoava nas arquibancadas do Beira-Rio, alimentando a expectativa de uma estreia imponente no Campeonato Brasileiro. O torcedor colorado esperava o início de uma jornada vitoriosa, mas o que viu foi um choque de realidade: uma derrota frustrante por 1 a 0 para o Athletico-PR. Embora decepcionante, o tropeço não foi um acaso. Uma análise aprofundada revela que o resultado é consequência direta de escolhas táticas, limitações de elenco e um planejamento estratégico questionável. As lições que explicam a derrota e sinalizam os desafios que o time enfrentará na competição.

A aposta do técnico Paulo Pezzolano em um time alternativo revelou-se um erro de cálculo tático. Ao poupar peças-chave do time que venceu o clássico, como Mercado, Paulinho e Carbonero, e deslocar levemente a posição de Alan Patrick, o treinador desmantelou a sinergia coletiva que havia sido a chave para o sucesso dias antes. A justificativa do desgaste físico é compreensível, mas a decisão enfraqueceu a estrutura da equipe em uma partida fundamental em casa. O próprio técnico admitiu que o foco no rival pesou, mas também apontou outras falhas.

"Temos a prioridade do Brasileiro, mas quando se joga um clássico, é um campeonato à parte, tem que ganhá-lo. Isso pesou. Fazia só três dias. Não fizemos o gol. Se fizéssemos as chances que criamos, teríamos ganhado."

A estratégia de rodar o elenco colidiu com uma verdade inconveniente, já reconhecida pelo próprio treinador: o grupo do Inter é curto. Os jogadores acionados para suprir as ausências dos titulares, como Victor Gabriel, Bruno Henrique e Tabata, não apenas falharam em manter o nível, mas o jogo escancarou que eles, neste momento, não podem ser tratados como soluções capazes de substituir titulares sem perda de rendimento. O resultado foi um time visivelmente menos intenso, com enormes dificuldades de criação e vulnerável desde os minutos iniciais, expondo a falta de peças de reposição à altura.

"Carbonero fez um bom clássico e terminou muito cansado. Jogará sempre quem eu achar que está fisicamente e mentalmente 100%."

Essa falta de peças de reposição à altura não foi um problema isolado, mas sim o resultado direto de uma falha estratégica maior. A inversão de prioridades entre o clássico e a estreia do campeonato expôs uma falha crítica no planejamento da comissão técnica, custando ao time um início ideal. O Inter "esticou a corda" para o Gre-Nal, mas optou pela preservação justamente quando o contexto do Brasileirão pedia força máxima. Sofrer um gol no início da partida selou o destino colorado, permitindo ao Athletico-PR jogar de forma confortável em seu plano defensivo e neutralizar um Inter que, apesar do volume, nunca encontrou clareza para reagir.

Apesar do desempenho coletivo abaixo do esperado, algumas atuações individuais se destacaram e trouxeram um vislumbre de otimismo para a sequência da competição. 

Villagra: Em poucos minutos, mostrou que pode trazer mais fluidez à saída de bola e organização ao meio-campo, indicando ser uma solução imediata para o setor. 

Borré: Mesmo isolado, foi competitivo, participativo e confirmou a excelente impressão deixada no clássico, mostrando repertório e vontade.  

Carbonero: Sua entrada no segundo tempo deu outra dinâmica ao ataque, com a profundidade e a agressividade que faltaram ao time titular.

Uma derrota na estreia não define uma campanha, mas serve como um alerta inadiável. A grande lição do jogo é que o Inter não tem margem para subestimar partidas ou promover rodízios sem uma perda acentuada de qualidade. Ajustar prioridades, reconhecer as limitações do grupo e consolidar uma base titular são passos urgentes para evitar que erros de leitura custem caro novamente. A questão que fica é se a comissão técnica terá a perspicácia para interpretar este tropeço não como um acidente, mas como um sintoma claro de que, no Brasileirão, erros de planejamento cobram um preço imediato.

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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!

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