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| Foto Ricardo Duarte/Internacional |
A vitória do Internacional por 2 a 0 sobre o Inter-SM na noite de quarta-feira foi importante para a tabela, mas o que realmente deu o tom para o futuro próximo do clube aconteceu minutos depois, na sala de imprensa do Beira-Rio. A entrevista coletiva do técnico Paulo Pezzolano foi muito mais do que uma simples análise de jogo; foi uma declaração de princÃpios, um mapa que revela a mentalidade e a estratégia que guiarão o Colorado nesta temporada. As palavras do treinador foram mais reveladoras sobre o projeto em construção do que os próprios 90 minutos em campo.
"Contentamento, sim. Acomodação, nunca."
Uma dualidade marcou o discurso de Pezzolano. Por um lado, o técnico uruguaio demonstrou satisfação com a rápida assimilação de suas ideias pelo elenco, especialmente considerando o curto tempo de trabalho. Ele reconheceu o esforço e a entrega dos jogadores em "pegar a ideia". No entanto, essa satisfação veio acompanhada de uma cobrança imediata por evolução.
Essa mentalidade de "melhora contÃnua" é a espinha dorsal de qualquer equipe que almeja grandes conquistas. Pezzolano deixa claro que cada vitória é apenas um degrau e que o processo de construção exige um olhar crÃtico constante. Ele celebra o progresso, mas rapidamente aponta para o que ainda precisa ser corrigido, estabelecendo um padrão de exigência que impede qualquer tipo de acomodação no vestiário.
O Inter vai jogar todos os jogos para ganhar. É isso que vamos tentar. Mas em todos os lugares do mundo, há mais tempo para trabalhar. Aqui, em dez dias, já tem jogo. Mas eles estão pegando bem. Há coisas para melhorar, mas estou contente.
"O Gre-Nal é prioridade, mas não é tudo."
Quando o inevitável tema do Gre-Nal surgiu, a resposta de Pezzolano foi um masterclass de pragmatismo. Ele garantiu que o clássico é a prioridade imediata e que colocará em campo "o que tiver de melhor" em respeito ao torcedor. Contudo, foi na nuance que o treinador revelou sua estratégia. Ao afirmar "não sei se vão jogar todos (os titulares), ou quatro ou cinco no Gre-Nal", Pezzolano expôs o verdadeiro dilema: como vencer a batalha mais importante sem comprometer a guerra da temporada.
Para ser claro, a prioridade do Inter é o próximo jogo. Agora, o mais importante é o de domingo. Sabemos a importância do Gre-Nal para o torcedor. Então, vamos colocar o que tivermos de melhor. Mas também pensamos no longo prazo.
"Menos reforços, mais confiança em quem está aqui."
Quando questionado sobre a chegada de mais reforços, Pezzolano foi transparente e demonstrou total alinhamento com a diretoria. Ele admitiu que todo técnico sempre quer mais opções, mas rapidamente contextualizou seu desejo dentro da realidade econômica do clube, uma condição da qual ele estava ciente desde que aceitou o convite para treinar o Inter.
Essa postura realista se conecta diretamente ao seu elogio explÃcito aos jovens jogadores. Ao destacar a satisfação com "os garotos", o treinador sinaliza que as soluções para as limitações do mercado podem e devem vir de dentro. A aposta na base não é apenas uma filosofia, mas uma necessidade estratégica, e Pezzolano mostra confiança no material humano que tem em mãos para desenvolver e fortalecer o elenco.
Como treinador, eu sempre quero mais. Mas entendo o momento econômico do clube. Conversamos com o Fabinho (executivo de futebol) e com os dirigentes. Estou aqui para ajudar o Inter. Sabia das condições quando cheguei.
A coletiva de Paulo Pezzolano desenhou o retrato de um projeto que se sustenta em três pilares claros: uma mentalidade de exigência constante, um pragmatismo estratégico que enxerga além do Gre-Nal e um realismo financeiro que valoriza as soluções internas. O placar de 2 a 0 foi o resultado, mas a clareza do diagnóstico foi a verdadeira vitória. Resta saber se a paciência da torcida acompanhará o ritmo de um projeto que, claramente, valoriza a fundação antes de decorar a fachada.
Fonte Correio do Povo
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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!
