Estátua de Abel Braga

 


Uma estátua é a materialização da gratidão, a promessa de que um nome jamais será esquecido. É, talvez, a maior honraria que um clube pode conceder a um ídolo. E é exatamente essa homenagem que o Internacional está acelerando para prestar a Abel Braga no pátio do Beira-Rio. Mas os motivos para imortalizá-lo em bronze transcendem as taças de 2006; eles foram forjados no fogo da crise mais recente do clube, em um ato de lealdade que poucos teriam a coragem de executar.

Embora o nome de Abel Braga esteja gravado na história como o técnico mais vitorioso do Inter, comandante dos inesquecíveis títulos da Libertadores e do Mundial de 2006, a estátua que será erguida celebra um capítulo muito mais visceral. Ela é o reconhecimento de um ato que rasga o manual do futebol moderno: no momento mais crítico da temporada, com o fantasma do rebaixamento assombrando o Beira-Rio, Abel retornou para as duas últimas e decisivas rodadas do Brasileirão.

O detalhe que transformou a missão em lenda foi a condição com que ele a assumiu: sem exigir qualquer remuneração. Em uma era onde cifras milionárias e cláusulas contratuais dominam o esporte, o gesto de Abel foi um raro e poderoso lembrete de que a identidade e o amor por um clube ainda podem se sobrepor a qualquer interesse financeiro. Ele agarrou o leme de um navio à deriva e, contra as probabilidades, o guiou para a segurança. Foi essa demonstração de lealdade pura que o transportou de ídolo histórico a lenda incontestável.

A iniciativa de construir o monumento não foi fruto de uma longa deliberação burocrática. Pelo contrário, foi uma promessa feita no calor do momento pelo presidente Alessandro Barcellos, logo após o apito final do jogo que garantiu a permanência do Inter na Série A. Essa reação imediata demonstra a dimensão da gratidão e o reconhecimento instantâneo da diretoria pelo feito de Abel.

As palavras do presidente na ocasião não deixaram dúvidas sobre a convicção por trás da homenagem:

Já passou da hora de a gente fazer uma grande homenagem a esse grande treinador. Essa decisão já estava tomada. Nos próximos dias, vamos trabalhar para fazer uma homenagem à altura do Abel.

Um dos fatos mais singulares sobre este tributo é que ele não se destina a uma figura aposentada ou distante. Após encerrar sua vitoriosa carreira como treinador, Abel Braga segue totalmente ativo no Internacional, agora exercendo a função de diretor técnico.

Homenagens em bronze são, tradicionalmente, póstumas ou reservadas a figuras que já se despediram da vida ativa no esporte. Ao imortalizar um diretor técnico em pleno exercício, o Inter quebra paradigmas. A estátua não será apenas uma memória do passado, mas um monumento vivo, cuja presença dialogará diariamente com as decisões que moldam o futuro do clube. Será um lembrete constante, para todos que passarem pelo Beira-Rio, do padrão de dedicação que inspira o presente.


O projeto já está em andamento e alguns detalhes práticos foram definidos pela diretoria colorada: 

O projeto está sob a responsabilidade do departamento de marketing do Inter. 

Os recursos financeiros para a obra já foram viabilizados com o apoio de patrocinadores. 

A diretoria determinou a aceleração dos trâmites para que a homenagem seja concluída ainda no primeiro semestre. 

Os locais em estudo para a instalação são uma área próxima à estátua de Fernandão ou nas imediações do ginásio Gigantinho.

A futura estátua de Abel Braga no Beira-Rio será muito mais que um símbolo de vitórias e troféus históricos. Será um monumento à lealdade, ao sacrifício e a um profundo e incondicional amor pelo clube. Ela contará a história de um ídolo que não apenas trouxe as maiores glórias, mas que também voltou para salvar a instituição no momento de maior necessidade.

Fonte Correio do Povo

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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!

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