Vilão da noite e "bela assistência, de peito, para o gol de Alan Patrick"

 

Foto Ricardo Duarte/Internacional


O grande paradoxo do jogo contra o Santos se desenrolou no primeiro tempo. O Inter jogou "muito bem", sufocou o adversário e criou "quase uma dezena de chances" de gol. A superioridade em campo era inquestionável, mas o placar se recusava a refletir essa realidade. O que se viu foi uma aula de como o futebol pode ser cruel.

Pela terceira vez seguida, o time deixou escapar dois pontos preciosos dentro de casa. O agravante, desta vez, foi a qualidade da performance inicial, que tornava o resultado final ainda mais difícil de engolir. A frustração era palpável, um sentimento de impotência diante da ineficácia que o zagueiro Vitão resumiu perfeitamente:

"Primeiro tempo era para ter virado no mínimo 3 a 0"

A lição mais dura para a equipe e para a torcida foi clara: no futebol, o volume de jogo, por si só, não vence partidas. A eficiência na hora de concluir é o que separa uma grande atuação de uma vitória. E essa falta de pontaria custou caro.

Em noites como essa, é natural buscar um culpado, e os holofotes se voltaram para um nome: Borré. O atacante colombiano foi eleito o "vilão da noite" após perder "ao menos três chances claras" de gol, lances que poderiam ter selado a vitória e trazido a tranquilidade que o time tanto precisava.

Contudo, a história é mais complexa. O mesmo Borré que desperdiçou oportunidades cruciais foi o autor de uma "bela assistência, de peito, para o gol de Alan Patrick". Sua atuação foi um espelho da partida do time: momentos de brilho ofuscados por erros decisivos. Para defender seu jogador das críticas, o auxiliar técnico Emiliano Díaz recorreu à memória, lembrando de um sacrifício feito em um jogo anterior que revela a dedicação por trás do atleta.

"Borré chegou às 11h da manhã do dia do jogo (contra o Ceará). Me disse: 'Professor, estou pronto'. Pôs a cara. Dormiu quatro ou cinco horas. Não podemos acabar com ele só porque errou. Errou? Sim. Mas é um grupo."

Este episódio ensina sobre a importância de olhar além do erro individual. Mostra que por trás de um gol perdido pode haver um atleta exausto, mas comprometido. Revela que, no futebol, a responsabilidade nunca é de um só, mas de um grupo que vence e perde junto.

Por que jogadores de alto nível perdem gols que parecem fáceis? A resposta, muitas vezes, não está nos pés, mas na mente. O técnico Ramón Díaz apontou para o inimigo invisível que entra em campo com os atletas: a pressão psicológica. O peso de lutar contra o rebaixamento afeta a tranquilidade, especialmente dos atacantes na hora de finalizar.

Essa dificuldade se intensifica exponencialmente nos momentos decisivos do campeonato. A tensão de uma "final" a cada rodada transforma a pequena área em um palco de ansiedade, onde a clareza de raciocínio desaparece e o instinto é nublado pelo medo de errar.

"Falo para os atacantes terem tranquilidade para fazer o gol. Nessas horas finais do campeonato, quando se luta pelo título ou contra o rebaixamento, fica mais difícil."

Nas rodadas finais de uma competição acirrada, o "fator mental" se torna um atributo tão vital quanto a qualidade técnica. A capacidade de manter a calma sob pressão extrema é o que, no fim das contas, define o destino de uma equipe.

As próximas duas semanas são as mais decisivas não apenas para o futuro do clube em 2025, mas também para o que será de seu destino em 2026. É a hora da verdade.

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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!

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