Rebaixaram o Inter!

 


Existem derrotas no futebol que são mais do que um placar adverso; são um espelho que reflete a alma fraturada de um clube. O 3 a 0 sofrido pelo Internacional para o São Paulo na Vila Belmiro foi exatamente isso: um evento que não apenas selou um resultado, mas que expôs todas as rachaduras de uma instituição em crise. A seguir, analisamos lições dolorosas que essa partida ensinou, indo muito além do que aconteceu dentro das quatro linhas.

O retorno de Abel Braga foi um ato de puro desespero, carregado de ironia. O maior treinador da história do clube, dispensado por essa mesma gestão em 2021, foi chamado de volta para uma missão quase impossível: salvar o time do rebaixamento com apenas três dias de trabalho. 

O colapso colorado foi além de falhas táticas ou técnicas; foi um desmoronamento moral e coletivo. O que se viu em campo foi uma equipe "apática e desarmônica", incapaz de reagir. O símbolo máximo dessa desunião ocorreu no final do primeiro tempo, quando, já perdendo por 2 a 0, os jogadores protagonizaram uma discussão pública. Alan Rodriguez, Juninho, Alan Patrick e Mercado bateram boca no gramado, um "destempero" que expôs a todo o país a desorganização e a falta de coesão que dominavam o vestiário.

Do outro lado, a própria torcida colorada presente no estádio parecia resignada. Seus cantos já assimilavam a queda, um lamento que, ao final da partida, transformou-se em fúria: gritos de "time sem vergonha", xingamentos direcionados a Barcellos, Borré e Rochet, e até objetos como pipoca e um tênis atirados na direção do time.

No momento mais crítico, o contraste de posturas foi gritante. Abel Braga, o recém-chegado que não tinha culpa alguma pelo desastre, foi o único que "deu a cara a tapa". Sozinho, o ícone enfrentou a sabatina dos jornalistas e respondeu a todas as perguntas. Enquanto isso, a liderança do clube se omitiu. O vice de futebol, José Olavo Bisol, fez um breve pronunciamento, afirmou que "não se esconderia", mas não respondeu a uma única pergunta. Pior ainda foi o silêncio e o sumiço do presidente Alessandro Barcellos, do diretor esportivo D’Alessandro, do executivo André Mazzuco e dos jogadores. A dinâmica expôs uma falha de responsabilidade no exato momento em que ela era mais necessária.

A derrota para o São Paulo não foi um evento isolado, mas o clímax de um longo processo de "decisões equivocadas da direção, problemas dos jogadores e conduta". A questão que fica para a partida final é delicada: diante de tanto caos e merecimento pela queda, como o torcedor que for ao Beira-Rio poderá expressar seu amor incondicional ao clube e, ao mesmo tempo, protestar contra os responsáveis, sem transformar o estádio em um "palco de guerra"?

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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!

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