Vergonha X Barcellos

 

Foto Ricardo Duarte/Internacional

A goleada de 5 a 1 sofrida pelo Inter contra o Vasco da Gama não foi apenas uma derrota; foi um colapso técnico e emocional que acionou o alerta máximo na luta contra o rebaixamento. Diante do caos, o pronunciamento do presidente Alessandro Barcellos não foi um simples lamento, mas uma intervenção estratégica calculada para tomar o controle da narrativa. Começando com a devida responsabilidade institucional, “Peço desculpas pelo resultado e pelo desempenho da equipe” , Barcellos estabeleceu as bases para uma virada de chave que se apoia em três pilares interligados: a aposta na continuidade, a cobrança por vergonha e o apelo final à história do clube.

Essa decisão sinaliza que, para a diretoria, o problema não seria resolvido com uma intervenção externa, mas com uma reação interna. Ao blindar o treinador, Barcellos transferiu o ônus da resposta diretamente para os ombros dos jogadores, preparando o terreno para sua próxima jogada: a cobrança emocional.

Tendo rejeitado a opção fácil de demitir o técnico, Barcellos precisava definir os termos emocionais da responsabilidade dos atletas. Sua escolha foi uma aposta de alto risco. Em "tom firme", ele não apenas expôs o sentimento do vestiário, mas o transformou em uma exigência pública: a "vergonha". Longe de ser apenas retórica, ele atrelou essa cobrança a uma meta clara: "temos obrigação de buscar os seis pontos".

Temos que ter vergonha na cara, coração, raça e tudo que puder buscar para sair dessa situação.

Usar uma palavra tão visceral como "vergonha" poderia desmoralizar completamente um time já abatido. Contudo, a estratégia de Barcellos foi usá-la como um catalisador, uma ferramenta de choque para despertar o orgulho ferido e deixar claro que a performance havia sido inaceitável em todos os níveis.

Após exigir vergonha e impor uma obrigação, Barcellos precisava oferecer uma fonte de esperança. Se o desempenho recente não podia ser essa fonte, ele recorreu ao capital mais poderoso de uma instituição como o Inter: sua própria história. Sua promessa categórica de que "O Inter não vai cair" não se baseou em análises táticas ou na forma atual da equipe, mas em um pilar quase místico.

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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!



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