Estreia de campeonato. A expectativa da torcida, a ansiedade natural de um elenco jovem e, de repente, o choque. Aos sete minutos de jogo, o Internacional já estava atrás no placar, vazado por um gol antológico de bicicleta, um lance de pura inspiração individual que testou a resiliência coletiva da equipe desde o apito inicial. O cenário que poderia prenunciar um desastre se transformou em uma vitória por 2 a 1 sobre o Novo Hamburgo. Contudo, o resultado é apenas a superfÃcie. A história mais valiosa está em como a equipe superou a adversidade, revelando lições estratégicas fundamentais para a temporada.
O desempenho inicial do Inter foi marcado por uma previsÃvel falta de sincronia nos movimentos e erros de passe não forçados, sintomas clássicos de uma equipe ainda em busca de entrosamento. Para o observador desatento, poderia parecer um sinal de crise. Na realidade, foi uma consequência natural e esperada. A desorganização era um reflexo direto do curtÃssimo tempo de preparação: apenas 12 sessões de treino antes da estreia.
Aqui reside a primeira lição. Em uma estreia, o pânico após um gol sofrido cedo pode desmantelar um plano de jogo. A calma da comissão técnica, fundamentada no entendimento do baixo volume de treinos, funcionou como um corta-circuito para a ansiedade. Essa tranquilidade, verbalizada pelo técnico interino Pablo Fernandez, foi transferida para os jovens atletas.
Essa mentalidade, focada na evolução gradual, permitiu que a equipe se estabilizasse em vez de se desesperar. A paciência não foi apenas uma virtude, mas uma ferramenta estratégica que criou a base para a virada.
"Raykkonen é um garoto promissor. Ele pode ser um segundo atacante ou um atacante de referência, mas pode também jogar pelo lado. É muito versátil."
Com a estabilidade emocional garantida pela paciência, "os garotos" do Inter puderam focar na correção tática. Longe de se desestabilizar, a equipe demonstrou uma notável maturidade competitiva. O que se viu, especialmente após o intervalo, foi um processo de ajuste em tempo real. O time passou a controlar o jogo, subindo as linhas de marcação e encontrando os espaços que não existiam nos minutos iniciais.
sobre João Bezerra: "Ele é um garoto de 16 anos. Precisamos ter cuidado. Ele vem sendo observado desde o ano passado. Já havia o planejamento dele estar conosco nessa pré-temporada. É um potencial que o clube vê."
Segundo Fernandez, a equipe passou a criar chances e a empurrar o Novo Hamburgo para seu campo de defesa, uma evidência clara da evolução. Essa capacidade de adaptação durante a partida é um dos sinais mais promissores para a temporada. Demonstra que o elenco não apenas absorve instruções, mas consegue interpretar o jogo e aplicar correções sob pressão, construindo a vitória ativamente em vez de simplesmente encontrá-la por acaso.
sobre Alan BenÃtez: "Acho que ele foi um suporte para esses meninos. Está conosco desde o ano passado, jogador de Seleção Paraguaia. Acreditamos no potencial que ele pode nos trazer."
A euforia da vitória não nublou a visão pragmática da comissão técnica, que revelou a terceira e talvez mais importante lição: o planejamento a longo prazo. O foco imediato mudou do resultado para a reavaliação fÃsica dos atletas, com o objetivo de preservar a saúde do elenco.
Esta gestão de carga em janeiro é um investimento direto no desempenho em abril e maio. Ao priorizar a prevenção de lesões musculares, tÃpicas de inÃcios de temporada, a comissão técnica está, na prática, "comprando" disponibilidade de atletas para as fases decisivas dos campeonatos que virão. A escalação para o próximo jogo, contra o Monsoon, será uma consequência dessa análise, não da empolgação.
"A gente sabia que esse primeiro jogo seria muito difÃcil. Preparamos bem os meninos para isso e, o apoio dos mais experientes ajudou."
Vamos jogo a jogo. Amanhã treinamos. Veremos a capacidade de cada atleta, como responderão. Depois veremos quem joga quinta. Não queremos correr o risco de lesionar alguém.
"A gente conhece todos os garotos que estiveram relacionados hoje. Todos participaram dos processos de treino com a gente desde o ano passado. Sabemos bem o potencial de cada um. Vão trazer resultados esportivos e financeiros."
Em um calendário extenuante como o do futebol brasileiro, essa gestão inteligente de elenco é um diferencial estratégico que separa as equipes bem-sucedidas das que sucumbem ao desgaste.
A estreia no Gauchão valeu muito mais do que os três pontos na tabela. Foi uma demonstração prática de uma filosofia coesa: a paciência com o processo permitiu os ajustes sob pressão, e ambos os elementos são governados por um planejamento inteligente que visa a maratona, não apenas a primeira corrida.
Fonte coletiva Radio Grenal no X falas Pablo Fernandez, auxiliar técnico do Inter
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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!
