Se tornou o símbolo da crise no Internacional, é justo?

Foto Ricardo Duarte/Interncional


No roteiro do futebol, a história de um jogador que chega com status de estrela e não corresponde às expectativas é um clássico. É um enredo de festa no aeroporto, investimento milionário e, por fim, a dura realidade do campo, onde os números e os momentos decisivos ditam o destino. Em 2025, o Internacional viveu essa narrativa de perto.

O personagem central é o atacante colombiano Rafael Borré. Contratado para ser a referência técnica e o homem-gol do time, ele viu seu prestígio se transformar em pressão e críticas. Este artigo detalha os pontos-chave que explicam como o atacante se tornou a "cara da crise" do clube, analisando os fatores que transformaram a esperança em frustração no Beira-Rio.

A comparação do desempenho de Rafael Borré entre suas duas temporadas no Internacional revela um contraste gritante. Os dados mostram não apenas uma queda, mas um colapso em sua eficiência como artilheiro.

  • 2024: 29 jogos, 11 gols, 5 assistências (média de 0,37 gol por jogo).
  • 2025: 45 partidas, 8 gols, 4 assistências (média de 0,18 gol por jogo).

Esses números representam uma queda de mais de 50% na média de gols por partida. A performance de 2025 contrasta diretamente com o investimento de R$ 33,26 milhões feito pelo clube, o segundo maior de sua história, para um jogador que, no primeiro ano, se mostrou uma peça-chave pelo poder de decisão.

Se as estatísticas gerais já eram preocupantes, as falhas de Borré em jogos eliminatórios foram o que realmente o colocaram na mira da torcida. Foi nesses momentos de alta pressão que o atacante não conseguiu entregar e se tornou o epicentro de duras críticas.

Nas oitavas de final da Copa do Brasil, teve a chance como titular nos dois jogos contra o Fluminense, mas desperdiçou oportunidades cruciais em campo. O roteiro se repetiu de forma ainda mais dolorosa na Libertadores: contra o Flamengo, também nas oitavas, Borré saiu do banco nas duas partidas e perdeu chances claras. No jogo de volta, o som da bola explodindo na trave em um lance decisivo ecoou pelo Beira-Rio como o veredito final, selando a desconfiança da torcida.

No início da temporada, Borré perdeu espaço no time titular devido ao excelente momento de seu parceiro de ataque, o equatoriano Enner Valencia. A crise, no entanto, era mais profunda do que uma simples disputa por posição. Na metade do Brasileirão, o desempenho da dupla caiu a tal ponto que ambos foram preteridos em favor do jovem da base Ricardo Mathias, um sinal claro de que o problema no ataque era sistêmico.

O ponto de virada definitivo veio em setembro. Com a saída de Valencia para o futebol mexicano, as críticas, que antes eram divididas entre a dupla de "selecionáveis", se concentraram totalmente em Borré. Ele deixou de ser uma das opções para se tornar o único e principal alvo da frustração da torcida.

A chegada da nova comissão técnica, liderada por Ramón e Emiliano Díaz, trouxe uma nova esperança. Declaradamente entusiastas do futebol de Borré, os argentinos tentaram recuperar o jogador psicologicamente, demonstrando total confiança em seu potencial.

É um cara internacional. Em todo o time que estivemos o tentamos levar. Às vezes, o goleador passa por fases. (...) Acreditamos muito na qualidade dele. O goleador quando não marca, baixa um pouco o anímico. Quando fizer, melhorará muito. Confiamos muito nele.

Esse respaldo se tornou ainda mais explícito após o empate com o Santos, quando Borré foi intensamente vaiado ao ser substituído. Mesmo diante da fúria da torcida, Emiliano Díaz fez uma defesa contundente do jogador, mostrando uma lealdade quase desafiadora.

E é uma questão de ter respeito pelas pessoas que botam a cara em momentos ruins. Ele pode errar, claro. Errou, mas lá no grupo ele demonstra que está comprometido.

Apesar do forte e repetido respaldo público, a resposta em campo ainda não veio. O colombiano amarga um jejum de oito partidas sem marcar um gol, tornando o apoio da comissão técnica uma aposta que, até agora, não deu retorno.

A jornada de Rafael Borré no Internacional é um retrato fiel de como as expectativas no futebol podem ser cruéis. Da recepção com festa no aeroporto às vaias no Beira-Rio, ele percorreu o caminho de herói a vilão em pouco mais de um ano. Hoje, mais do que um jogador em má fase, Borré se tornou o símbolo da temporada de tensão e frustração que assombra o clube.

Com uma chance de redenção contra o Vasco, conseguirá Borré reverter sua história no Inter, ou sua trajetória servirá como um lembrete de como as expectativas podem se transformar em pressão no futebol? É JUSTO?

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O CONTEÚDO NO TEXTO ACIMA REFLETE O PENSAMENTO DO ESCRITOR E NÃO DO BARCOLORADO!


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