Rosalia Colorada



TORCIDAS QUE PROTAGONIZAM ATOS DE VIOLÊNCIA


Os fatos desta semana me fizeram pensar no tema tão comum em certas torcidas que comportam-se como verdadeiros protagonistas de atos vergonhosos como os que ocorreram há poucos dias na casa do nosso adversário. Assim, se torna comum pensar que elas são violentas por sua própria natureza, mas existem exceções. Algumas que são relativamente pacíficas e outras ainda que não tem estes fato lamentável fazendo parte de sua trajetória. A explicação deste fenômeno reside na base social das torcidas organizadas, bem como na mentalidade que se reproduz no seu interior.

As torcidas são compostas por pessoas com situação social das mais diferentes procedência. E o que se vê é que a grande maioria das brigas que ocorrem entre torcedores de um mesmo time tem como principal características o fato de não ganharem a competição, por isso, possuem certa frustração a ser descarregada em atos violentos. A violência e a agressividade também exercem o papel de satisfação substituta ao vencer uma competição, embora não seja a grande competição, que é a social. O time de futebol funciona como a forma de compensar o fracasso, desde que ele seja vitorioso. Da mesma forma, a torcida que demonstra mais força, e o indivíduo no seu interior, acaba vencendo esta competição menor, mas que traz uma satisfação substituta para o indivíduo. A sociedade moderna é uma sociedade competitiva. Quando ela não possibilita a ascensão social para muitos indivíduos, principalmente jovens e das classes desprivilegiadas, e produz uma mentalidade competitiva que perpassa toda a sociedade, produz também formas marginais de competição e entre elas as das torcidas organizadas ou não, que geram violência.

Os indivíduos provenientes das classes privilegiadas também realizam tais atos de violência, seja através do esporte ou de outra forma, pois dependendo dos valores dos indivíduos e da expectativa existente em sua classe/família, ele pode cometer atos de violência. Outra fonte geradora de violência são os problemas psíquicos, que atingem indivíduos de todas as classes sociais, tal como a excessiva competição e os desgastes que isso provoca, bem como a já referida frustração. Estas e outras razões da violência podem se mesclar e reforçar o caso da manifestação da violência enquanto torcedor de futebol que é uma atividade social que agrega diferentes níveis de condição social.

A violência efetivada por integrantes de torcidores possui fonte social cuja origem se encontra em determinados problemas sociais. Os grupos de torcedores criam uma cultura própria, típica das pessoas na situação que definimos acima, de querer ser superior e ganhar uma competição, seja através do time ou através da própria ação enquanto torcida. Cada competidor, na falta de outros recursos, usa o que tem. Os diversos grupos sociais utilizam diferentes mecanismos de competição: os setores privilegiados mostram seu sucesso através do dinheiro, dos bens de consumo, da ostentação de sua riqueza e poder; os setores intermediários utilizam a arte, a cultura, a inteligência; os despossuídos possuem recursos mais escassos: além da vitória dos outros (time de futebol, torcida), resta a força física. O que vimos neste final de semana no Estádio Arena, foi a cultura da força física.

O futebol é competitivo e isso se reproduz fora do campo, inclusive se mesclando competição social e esportiva, uma compensando a outra, principalmente no caso da torcida. O futebol, devido ao caráter competitivo que assumiu em nossa sociedade e ao conjunto das relações sociais que existem, passa a se relacionar intimamente com a violência, mas é preciso perceber que não são sinônimos. O futebol, tal como as torcidas organizadas ou não, é mais produto social e reprodutor de relações sociais do que seu produtor. A violência das torcidas só pode ser compreendida enquanto fenômeno social. E chegou-se a ventilar um GreNAL com torcida única como se a torcida visitante fosse a causadora dos atos de violência vistos no referido evento. Comprometendo toda a beleza e o congraçamento que o evento causa. Futebol de torcida única, quem perde o futebol. E quem perde é a torcida que não teve nenhuma contribuição com o ocorrido.

Diante do exposto só me resta reforça a tese de que torcida que está satisfeita com seu time, com seu clube, não protagoniza violência entre os seus. E como diz o trecho da música Violência do grupo Titãs

... “A violência é nossa vizinha, 
    Não é só por culpa sua, 
    Nem é só por culpa minha. 
    Violência gera violência”...


Rosália Colorada

*Texto enviado para o site é de inteira e exclusiva responsabilidade do autor

Comentários